quarta-feira, 15 de abril de 2009

Um amigo verdadeiro.

O amor de Deus se manifesta nas nossas atitudes diárias.

Na parábola do samaritano que Lucas nos revela em seu evangelho, onde Jesus ao ser interpelado por um teólogo judeu (gr. “nomikos” = mestre da lei mosaica) sobre qual era o seu argumento soteriológico. Jesus confronta-o com a sua própria interpretação da lei, onde temos a definição “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. - Ótimo, faça isso e terá a vida eterna, disse-lhe Jesus, então entre em cena o grande erro dos estudantes das escrituras, a (auto) justificação. Quem é o meu próximo? Interpela novamente.





Quem é o meu próximo? Pergunta feita e respondida há quase dois mil anos, e que até hoje temos uma grande dificuldade de compreendê-la. Na época Jesus trouxe um exemplo simples e ao mesmo tempo muito complexo, pois era conflitante com os padrões morais adotados pelos judeus.

“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão”.

Parte do antigo caminho entre Jerusalém e Jericó
que
hoje abriga o monastério de São Jorge (St. George Monastery)


Nesta narrativa temos quatro vidas totalmente distintas e interligadas pelo mesmo evento.

  • a) Um homem, possivelmente um judeu que estava percorrendo o perigoso caminho de 25 quilômetros entre as cidades de Jerusalém e Jericó, um caminho muito perigoso, pois era de difícil locomoção, com grandes cavernas e vales e muito propício a ataques de salteadores.

  • b) Um Sacerdote, é de nosso conhecimento que existia algumas exigências para ser um sacerdote judeu, a primeira delas é a genealógica, ele necessariamente deveria ser um levita e pertencente da linhagem de Aarão. Havia também a necessidade de estar sempre em consagração, pois era um dos responsáveis pela execução dos sacrifícios no grande templo judaico.

  • c) Um Levita, igualmente como o Sacerdote, o Levita deveria manter-se puro para suas exercer as suas funções dentro do templo.

  • d) Um Samaritano, povo visinho da Judéia, inimigos declarados dos judeus desde o cativeiro babilônico.


A tradição judaica trazia uma idéia muito rígida sobre a consagração de seus sacerdotes e que deveriam ser tratada a risca. Os rituais para a purificação de seus sacerdotes consistiam basicamente de banhos e vestes limpas. Pela Torah os sacerdotes não podiam entrar em contato com defuntos Lv.21.1 “O sacerdote não se contaminará por causa de um morto entre o seu povo”, e pecadores Lv. 22.4-8. A purificação tinha um caráter físico-moral partindo de um pressuposto que o religioso tinha que estar plenamente limpo para poder exercer suas funções ministeriais Lv 21 e 22.

A narrativa que Jesus nesta parábola toca nos conceitos “O que é estar puro ou impuro” e “Quem é realmente o meu próximo? Minha família, meu povo, meus amigos. Quem afinal?"

  • a) Vamos tentar buscar a resposta para a primeira questão que surge nesta parábola. O que nos torna puro ou impuro perante Deus?

    Vejamos:
    O sacerdote e o levita não quis se aproximar do homem caído por causa do seu zelo à lei do Senhor.

    Resposta obvia para os judeus, pois, poderia se contaminar caso tocasse no possível defunto.

    Pensava ele “Será que esta morto?” e ainda “Há se ele esta nesta situação algo pecaminoso fez, pois Deus é justo juiz! Se este infeliz esta passando por isso, então ele é um pecador e esta pagando pelo que fez, não posso ajudá-lo, pois, estaria interferindo na justiça divina e ainda me contaminando ou pelo seus pecados ou pela sua carne morta”

    Já o samaritano não tinha que compromisso com esse tipo de lei. Não teve que racionalizar este dilema e enfim agiu ajudando o moribundo judeu.

    A única questão que poderia impedir o samaritano de ajudá-lo era a questão racial-política.

    O zelo justifica então a atitude do sacerdote e do levita? Não, pois, observamos que o samaritano abriu mão deste zelo e teve o princípio pela vida como o mais importante ao contrario dos judeus que preferiram mecanizar os seus preceitos religiosos e não colocar o respeito pela vida como o mais importante.

  • b) Resta agora a questão “Quem é realmente o meu próximo?”

    Jesus categoricamente separa os dez mandamentos em duas classes, comportamento do homem em relação a Deus e o comportamento do homem em relação aos seus semelhantes. “amaras o teu próximo como a ti mesmo”

    Jesus pergunta ao doutor da Lei “Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” e a resposta é obvia “O que usou de misericórdia para com ele”

Mais então porque esta dúvida ainda não foi sanada? Diria Jesus “Por causa da dureza de vossos corações” acredito que não.

O homem no fundo sabe e sente quem é o seu próximo. Mais do que o argumento da distância física é a relação afetiva. Próximo é aquele que se compadece de nós, sente conosco os nossos problemas e deliberadamente decide atuar em função do outro, biblicamente a relação afetiva é que define quem é próximo ou não.

Nas relações interpessoais o afeto é quem define o grau de apreço. Podemos até nos relacionar com pessoas importantes, mais isso não garante uma amizade duradora.

Alias o ser humano tem algo dentro de si, que o motiva sempre a se compadecer dos miseráveis, principalmente o cristão. A sua consciência sempre o leva a ter compaixão com as pessoas que estão vivendo em situações de dificuldades.

O que nos diferencia é a relevância que damos para este sentimento. Muitos, mesmo sentindo a necessidade do outro, procuram menosprezar e arruma desculpas para se justificar perante a sociedade e perante a sua própria consciência, pois precisa convencer a si mesmo que a atitude tomada é a mais correta. Outros já se compadecem, e uma vez que este sentimento floresce, não é mais possível ficar sem agir. Ele tenta de todas as formas, resolver os problemas do outro.

Eis ai a diferença.

Fique com o conselho de Jesus

"Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira".

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Fernando Pessoa.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…