quinta-feira, 28 de março de 2013

A Igreja e a Política em um Encontro Histórico - I Parte

Constantino conduzindo o Concílio de Niceia
Esta publicação é um ensaio (que postarei em 3 partes) que tem por objetivo aguçar a mente dos caros leitores e leva-lós a uma reflexão da situação atual em que se encontra as Igrejas Cristãs, sejam elas católicas, protestantes ou ortodoxas.

Visa expor a historicidade dos fatos, que levaram a Igreja a um profundo mergulho nas entranhas do poder e da política, bem como as suas práticas de relacionamento com seu público alvo, os fieis cristãos.

Viajem comigo neste estudo, assim reflita e tire as suas próprias conclusões.

Segue a primeira parte:

A história eclesiástica sempre aguça a nossa curiosidade, ficamos impactados pelos acontecimentos que tem marcado o crescimento da nossa instituição, seus mártires, pregadores, templos, reuniões e por aí vai

Somos educados há muito tempo com um ditado popular onde diz – “Temos que descobrir o passado para entender o presente e se preparar para o futuro”. Olhando para essa necessidade abordamos aqui a influência do estado e o seu poder na Igreja do Senhor.

Pesquisando a história descobrimos que foi no Concílio de Niceia onde esse poder ficou evidente. Analisamos a fundo esse sínodo e descobrimos alguns de seus desdobramentos através dos séculos subsequentes. Analisamos também os editos anteriores que tornaram esta reunião possível, como o Edito de Tolerância e o Edito de Milão. Da questão ariana ao papado, da liberdade do Edito de Milão às 95 teses de Lutero, tudo foi analisado e pesquisado para obter um único substrato, o poder estatal.

Questões relevantes como a junção entre os poderes temporal e atemporal [1], foi levada ao leitor de uma forma imparcial, no que for possível de nossa parte, buscando sempre deixar o fato falar por si só, esta foi a nossa metodologia. Sem esquecer-se desses reflexos no mundo capitalista de hoje, pois o próprio lhe propicia, e muito. E esse é o nosso objetivo principal entender o presente século.

Estamos preparados para o futuro? Vejamos na conclusão destas publicações.

Pressupostos históricos.

A Perseguição

Após três séculos de existência, o cristianismo apesar de muita perseguição crescia de forma grandiosa. Todas as grandes cidades do império romano tinham um número satisfatório de convertidos ao cristianismo. E mesmo com essa resistência do estado, a Igreja não parava de crescer, mas foi na última tetrarquia romana do quarto século, que era formada pelos quatros tiranos, o Imperador Diocleciano (284 – 305), Maximiliano, Galério e Constantino Cloro, pai de Constantino, o Grande. Foi neste período então que a Igreja encontrou o seu maior obstáculo, uma perseguição jamais vista até aquela época.

Diocleciano (245 – 316), Gaius Aurelius Valerius Diocletianus” influenciado por Galério, ordenou em Março de 303 que fossem destruídas todas as Igrejas, os livros cristãos deveriam ser todos queimados na fogueira, as reuniões estavam expressamente proibidas, assim como também toda a organização eclesiástica estava dispensada de seu exercício ministerial, os cristãos seriam obrigados a sacrificar aos deuses, caso se negassem seriam presos, sendo negada a liberdade até mesmo a seus familiares[2]. Todos os que desrespeitassem essas normas seriam preso e passiveis até de morte.

Contudo, o Imperador Galério, prevendo o cristianismo como o último obstáculo à consolidação de um governo absolutista[3], tinha um grande ódio pelos cristãos, era genro do Imperador Diocleciano, e exercia uma influência fatal sobre ele. Persuadiu-o de que o cristianismo se opunha aos melhores interesses do povo, e que o meio de fazer reviver as antigas glórias do império era arrancar pela raiz aquela odiosa religião e destruí-la completamente”[4]. Para poder atingir esse objetivo, Galério buscou apoio e auxílio entre os mestres da filosofia e dos sacerdotes pagãos.

Após oito anos de extrema perseguição aos cristãos e observando que não estava produzindo o efeito desejado pelos Imperadores, pois existia um sentimento de alegria intensa no meio do povo cristão, que de forma alguma negava sua fé, demonstrando essa alegria até mesmo em situação de extrema dor, causado pelos castigos imposto pelo império. Como relata em sua obra o Dr. Knight:
No Egito, os cristãos sofreram o martírio aos grupos, tendo havido dia de sessenta a oitenta mortes. Romano, o diácono de Antioquia, quando foi ameaçado com a tortura, exclamou: ‘Oh! Imperador, recebo gostosamente a tua sentença; não me recuso a ser torturado a favor dos meus irmãos, ainda que seja pelos meios mais cruéis que possas inventar’. Quando o executor hesitava em continuar o seu terrível trabalho, em conseqüência de a vítima pertencer à nobreza, Romano disse: Não é o sangue dos meus antepassados que faz com que eu seja nobre, mas sim a minha profissão cristã. Depois de ter recebido muitas feridas no rosto, ex-clamou: ‘Agradeço-te capitão, por me teres aberto tantas bocas pelas quais eu possa pregar o meu Senhor e Salvador Jesus Cristo'"[5]. (grifo nosso).
Foi então que em 311, o Imperador Galério, em seu leito de morte, promulga o Edito de Tolerância, legalizando o cristianismo e rogando a prece dos cristãos em paga da “Nossa Altíssima Clemência”. Com efeito, enquanto Roma gerava o caos, o cristianismo multiplicava-se calmamente, construindo, dessa forma, uma ordem que sobreviveu após a derrota do Estado Imperial Romano.[6]

Em meio essa indecisão, de não saber o que fazer com a situação dos cristãos, se deveria ou não combater o avanço do cristianismo, pois surgia um edito após o outro liberando e proibindo o culto cristão. Essa causa estava indefinida sem nenhuma posição sólida a esse respeito. É nesse clima que surge no cenário mundial a figura de Constantino “O Grande”, o qual, em termos, determinará os novos rumos da nascente Igreja Católica, sobretudo no que se refere à institucionalização oficial da doutrina cristã.

Constantino, o Grande, 272 - 337.

Constantino I, Constantino Magno ou Constantino, o Grande (Flavius Valerius Constantinus), foi proclamado Augusto pelas suas tropas em 25 de Julho de 306 e governou uma porção crescente do Império Romano até à sua morte. Nascido em Naissus, na Mésia (cidade de Niš na atual Sérvia), filho de Constâncio Cloro e da filha de um casal de donos de uma albergaria na Bitínia, Helena de Constantinopla.[7] Não se tem muita certeza sobre a origem da mãe do Imperador Constantino, por exemplo, O Dr. Knight em sua obra diz que sua mãe era uma princesa britânica.[8]

O fato de Constantino ter vivido no Oriente grego e de que sua mãe Helena sabia fluentemente o idioma grego, ajudou Constantino ter uma boa educação, o que facilitou-lhe o acesso à cultura bilíngue própria da elite romana, e foi de grande valia no serviço do tribunal de Diocleciano depois do seu pai ter sido nomeado um dos dois Césares. Constantino serviu nas campanhas do César Galério e de Diocleciano contra os Sassânidas e os Sármatas. Quando houve abdicação conjunta de Diocleciano e Maximiano em 305.

Entrou para a história como o primeiro Imperador romano a professar o cristianismo. Segundo a historia sua aproximação com o cristianismo foi durante a sua vitória sobre um dos maiores defensores do paganismo, Maxêncio, na chamada Batalha da Ponte Mílvio, em 28 de outubro de 312, perto de Roma, que ele mais tarde atribuiu ao Deus cristão como relata o historiador Curtis[9]
“Segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu um sinal, uma cruz brilhante, na qual podia ler: ‘Com isto vencerás (...) Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segurando o mesmo sinal (uma cruz inclinada), lembrando as letras gregas chi (χ) e rho (ρ), as duas primeiras letras da palavra Christos” 
Isse foi o evento que levou Constantino a colocar esse sinal nos escudos de seus soldados, e fez prontamente, da forma exata como fora ordenado. Assim venceu a batalha e derrotando o seu inimigo Maxêncio, pois morreu afogado em sua própria armadilha, era uma falsa ponte de barcas feita no rio Tibre e estava preparada como armadilha contra Constantino, mas rompeu-se antes do tempo, matando Maxêncio afogado no rio.[10]

Tal fato marca a derrota do paganismo, sobretudo pela promulgação do Edito de Milão, documento que confirma a tolerância religiosa concedida por Galério, Constantino e Licínio, quando estavam se reunido na conferência da cidade de Milão. Ficou assim decidido
“...a respeito do bem e da segurança do império, decidimos que, entre tantas coisas benéficas à comunidade, o culto divino deve ser a nossa primeira e principal preocupação. Pareceu-nos justo que todos, cristãos inclusive, gozem da liberdade de seguir o culto e a religião de sua preferência”[11]. 
Este desejo acabou estendendo-se, igualmente, a todos os outros credos, além de ordenar a restituição sem nenhum ônus dos bens confiscados e dos lugares de culto dos cristãos por ocasião das últimas perseguições.

No próxima parte deste ensaio iremos retratar o Concílio niceno, a Igreja do IV século e seus desdobramentos.

Continuação.... II Parte..

Soli Deo Gloria.


Notas (I Parte)

[1] Utilizamos aqui este termo no sentido mais antigo da palavra, como aquilo que denota o “poder metafísico”.
[2] BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã..São Paulo: Aste, 2007. p.47.
[3] MEDEIROS, Silvio. AULA DE HISTÓRIA III: O Edito de Milão e a consolidação histórica do Cristianismo. Disponível em: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/.
[4] KNIGHT, A.E., ANGLIN, W. História do cristianismo. 2ª ed,. Rio de Janeiro: CPAD, 1983. p.20.
[5] KNIGHT, A.E., ANGLIN, W. op. cit. p.31.
[6] MEDEIROS, Silvio. op. cit.
[7] Informações retiradas do artigo “Constantino I” da Enciclopédia eletrônica livre Wikipédia disponível em: www.Wikipédia.com.br.
[8] KNIGHT, A.E., ANGLIN, W. op. cit. p.33.
[9] CURTIS, A. Kenneth.Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo: do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China .trad. Emirson Justino. São Paulo: Editora Vida, 2003. p.28.
[10] EUSÉBIO, História Eclesiástica,São Paulo: Editora Novo Século, 2002. p.198.
[11] BETTENSON, Henry op. cit. p.49.

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BIBLIOGRAFIA (Geral).

BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã..São Paulo: Aste, 2007. 452 p.
BÍBLIA Shedd: Antigo e Novo Testamento. Trad. João Ferreira de Almeida. 2.ed. rev. e atualiz. no Brasil. São Paulo: Vida Nova; Brasília: Sociedade Bíblica do Brasil, 1997. 1929 p.
CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos:uma história da Igreja cristã.trad. Israel Belo de Azevedo.2. ed. São Paulo: Vida nova, 1995. 508 p.
CURTIS, A. Kenneth. Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo: do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China .trad. Emirson Justino. São Paulo: Editora Vida, 2003. 205 p..
EUSÉBIOHistória Eclesiástica,São Paulo: Editora Novo Século, 2002. 223 p.
KNIGHT, A.E., ANGLIN, W. História do cristianismo. 2ª ed,. Rio de Janeiro: CPAD, 1983. 223 p.
PERES, Alcides Conejeiro. O catolicismo romano através dos tempos: uma análise de sua história e doutrinas. Rio de Janeiro: JUERP, 1995. 146 p.

Bibliografia eletrônicas.

BRANDT, Steve. O Concílio de Nicéia. Apostolado Veritatis Splendor, Disponível em: http://www. veritatis. com.br/article/4328. Acesso em: 28 de Março de 2013.
MEDEIROS, Silvio. AULA DE HISTÓRIA III: O Edito de Milão e a consolidação histórica do Cristianismo. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/redacoes/571238. Acesso em: 28 de Março de 2013
VARO, Francisco. O que aconteceu no Concílio de Nicéia? Disponível em: http://www.opusdei.org.br/art.php?p=16353 Acesso em: 28 de Março de 2013.
WIKIPÉDIA, Enciclopédia eletrônica livre. Artigo “Constantino I” disponível em: www.Wikipédia.com.br. Acesso em: 28 de Março de 2013
WIKIPÉDIA, Enciclopédia eletrônica livre. Artigo “Primeiro Concílio de Nicéia” disponível em: www.Wikipédia.com.br. Acesso em: 28 de Março de 2013
OCULTURA, Enciclopédia eletrônica livre. Artigo “Primeiro Concílio de Nicéia” da disponível em: http://www.ocultura.org.br. Acesso em: 28 de Março de 2013

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Isso é Pentecostalismo?

 

Já algum tempo andava procurando uma palavra que descrevesse a minha indignação o atual momento da nossa Igreja, uma palavra que externasse os meus mais profundos sentimentos em relação ao evangelho que tenho visto nos últimos anos. Confesso que tentei muitas frases e palavras, mas nenhuma delas descrevia realmente com perfeição o meu pensamento, o meu momento, a minha insatisfação.

Adjetivos rondavam os meus pensamentos, mas nenhum deles faziam jus a minha irritação, e eu continuava não conseguindo externar com exatidão a minha perplexidade com os fatos corriqueiros dos últimos tempos. Vinham a mente adjetivos como: charlatões, ignorantes, aproveitadores e por ai vai.

Escutando o programa de rádio “A voz do Brasil para Cristo” dirigido pelo pr Paulo Lutero de Melo, percebi que não deveria mais concentrar a minha busca em um adjetivo para catalogar este tipo de “evangelho” que nos norteia atualmente, não deveria mais, simplesmente por não ser mais necessário, pois nenhum adjetivo retrataria com perfeição o que alguns, claro não generalizo de forma alguma, o que alguns vem fazendo em prol das suas assim chamadas “igrejas”.

Observei que primeiramente eu havia de lidar comigo mesmo, tinha que desarticular esta indignação que me corroía por dentro. E o estalo veio nas palavras deste servo de Deus quando no final de um de seus programas decidiu soltar o seguinte pensamento:

“Meus amados Irmãos em Cristo, quero dizer a todos que estou de “saco cheio” deste evangelho que andam pregando por ai”

Confesso que esta frase me impactou profundamente, foi como dar uma tijolada em uma janela de vidro num momento qualquer de fúria. Esta é uma frase que retrata perfeitamente o meu estado atual, não existiria uma frase mais perfeita, mais indicada do que esta: “Estou de saco cheio”. Obrigado pr. Paulo Lutero.

Engraçado é que tentamos por diversas vezes procurar palavras difíceis para algo tão simples, e nesta procura alucinada acabamos encontrando apenas palavras evasivas, sem alma, sem peso, sem gosto, sem sal, sem graça e numa frase tão popular, numa frase tão simples, que qualquer pessoa desde as mais simples a até mesmo as mais “complexas” entenderia e talvez, assim como eu, se identificasse. Uma frase tão popular que é recitada dos mais humildes becos até mesmo os mais luxuosos escritórios.

“Estou de saco cheio”

Estou de saco cheio das rosas ungidas

Estou de saco cheio dos copos de aguas ungidos

Estou de saco cheio de louvores antropocêntricos.

Estou de saco cheio de pregações antropocêntricas.

Estou de saco cheio de diga para o irmão que esta ao seu lado.

Estou de saco cheio de cultos de autoajuda.

Estou de saco cheio da teologia da prosperidade

Estou de saco cheio do “evangeliquez”.

Estou de saco cheio de cultos “judaizados”.

Eu estou de saco cheio deste falso “evangelho”!!

Sinto a falta da genuína pregação de cristo.

“Não se conforme com este presente século, mas mude-o através de renovação da sua mente”

 

Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Arminius X Calvino – O Combate da Historia

 

Me santifico para ser salvo ou sou salvo por isso me santifico?

Há muito tempo tem se discutido sobre um assunto, que por sinal parece interminável, que tem como finalidade o entendimento do mecanismo da relação entre o ser e seu Criador e a salvação que é oferecido por Deus aos homens. O assunto que parece, pelo menos em primeira vista ser simples, é um pouco mais complexo do que imaginamos a priori e ainda fica um pouco mais confuso conforme vamos se aprofundando no tema.

Muito tem se falado e publicado em relação a esta celeuma sem fim entre o calvinismo e o arminianismo como entendimento da relação entre Deus e o homem. Mas o que realmente são estes dois pontos de vista? O que realmente eles contribuem para a necessidade de compreensão destes fatores?

Bom, o dogmatismo calvinista iniciado por João Calvino no século XVI (na realidade ele somente complementou o pensamento agostiniano) tem como principio básico, a soberania de Deus, e que por respeito a esta soberania, todo ser fica condicionado a sua vontade. No que se refere a salvação dos homens, o calvinismo defende:

“É Deus que decide quem vai salvar e quem ira mandar para a condenação eterna.”

Já o arminianismo tem como principio básico a ordenança divina de que todos os seres possui o poder de decisão sobre todos os seus atos, o assim chamado “Livre arbítrio”, e sobre a salvação diz:

“Deus realizou sua obra salvífica em prol de todos e o próprio ser decide se aceita esta salvação ou não”.

Como observamos existe duas formas incompatíveis entre si e que apontam dois extremos de um tema fundamental a todos os cristãos, ou seja, Deus escolhe quem ele irá salvar ou o homem escolhe se quer se salvar ou não.

Nunca quis ou desejei participar desta celeuma, pois não tenho, por mais que pareça estranho, nenhuma das duas opções como totalmente correta, mas também não são todas as duas totalmente incorretas, dai você pode me perguntar:

 “Como assim? Como pode haver uma terceira opção entre dois termos tão excludente?”

Primeiramente os calvinistas, leia-se a teologia reformada, erram ao tentar dogmatizar a Deus com filosofias humanas, pois Deus esta acima de todo pensamento humano como bem disse o profeta Isaias “Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” não podemos de forma alguma conjuminar Deus em sua totalidade em nada que seja produzido pela mente humana, ou seja, não podemos jamais decretar algo sobre um Ser que esta acima de nossas pretensões filosóficas.

Segundo erro dos calvinistas é reduzir o sacrifício de Deus a alguns poucos favorecidos, a obra redentora foi e é para todos nós e por isso esta disponível a todos que assim almejarem. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” e ainda “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens”, sobre este quesito os calvinistas dizem que realmente o sacrifício foi para todos, mas que Deus tem os seus escolhidos para alcançar esta graça como já dizem Deus escolheu Jacó e não Esaú.

O que eles não compreendem é que Deus não escolheu salvar Jacó e condenar Esaú, não é assim que compreendemos a história destes dois personagens bíblicos. Deus realmente escolheu Jacó, mas foi para uma tarefa específica, ou seja, Deus não escolheu Jacó para salvá-lo e sim para a tarefa de continuar o chamado de seus pais que era de estabelecer o reino de Israel formando as doze tribos. Como bem diz o texto bíblico “E os filhos lutavam no ventre dela; então ela disse: Por que estou eu assim? E foi consultar ao Senhor. Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas estranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o mais velho servirá ao mais moço”. Como bem diz o texto a escolha de Deus se resume a continuidade do chamado de Abraão seu avo para ser um dos patriarcas da nação de Israel. Portanto Deus, de maneira alguma, lançou Esaú no inferno.

O grande acerto dos calvinistas gira em torno de reconhecer a soberania divina e isso é fundamental e falta muito aos arminianos este reconhecimento.

Já o grande erro do arminianismo é dizer que o homem é livre para fazer o que quiser e isso não é bem assim. Bom os Seres humanos estão de baixo de algumas limitações bem estabelecidas por Deus, por exemplo, a lei do tempo e espaço dentre muitas outras. Aqui já observamos que as possibilidades de escolhas dos homens já estão resumidas a algumas possibilidades que Deus decretou sobre Ele, não é tão livre assim para escolher o que quiser.

Bom você pode se perguntar Mas qual é o grande acerto então do arminianismo?

É saber reconhecer que nestas pequenas possibilidades liberadas por Deus aos homens, eles sempre terão no mínimo duas opções, fazer o bem ou o mal. E nestas opções Deus não se opõe, pode até influenciar a fazer o bem, mas deixa sempre livre a liberdade de escolha.

Eu particularmente reduzo, e muito, o mecanismo de salvação arminiano, pois entendo que tem muita influência em poder colocar o homem como o “senhor de sua salvação” o que se torna heresia, pois a soberania de Deus não pode de maneira alguma ser questionada, o homem só pode decidir com as opções que Deus permitiu ele escolher.

“Quem salva é Cristo e não o homem!”

Outro risco e este sim muito grave é o “extremismo arminiano” que teve seu auge nas ultimas décadas adotando o seguinte raciocínio:

“Se sou eu que detenho o poder de decisão sobre todos os meus atos como fica Deus durante esta escolha, pois o simples fato de Deus saber o que vou decidir já me tira a prerrogativa de decisão, pois já estarei optando por algo que já foi decretado historicamente pela presciência de Deus? Sendo assim para resolver esta questão e respeitar o meu livre arbítrio Deus abre mão de saber o futuro. Assim o futuro esta sendo escrito de sacramentado durante o presente” (posição do teísmo aberto ou teologia relacional).

Esta posição do teísmo aberto (na realidade não existe teologia fechada) teve muita repercussão no Brasil através do teólogo Ricardo Gondim quando quis achar uma explicação racional para os eventos catastróficos da natureza decorrente das variações climáticas no planeta.

Respeito muito todas as formas de pensamento e o grande esforço teológico desta teologia. Só que mais uma vez observamos a tentativa fracassada de dogmatizar a Deus em sua plenitude. O que precisamos entender, e não sistematizar, é que Deus possui a sua soberania e de maneira nenhuma deixa de ter entendimento sobre toda a história da humanidade, presente, passado e futuro assim como diz o Salmo “Senhor, tu me sondas, e me conheces. Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces. Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão. Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir”. O próprio salmista reconhece a sua incapacidade de compreender os atributos divinos e que Deus conhece todos os seus atos antes mesmo de realiza-los, portanto Deus não abre mão de nenhuma de suas prerrogativas como bem disse o profeta Malaquias “Pois eu, o Senhor, não mudo” e também o escritor aos hebreus “é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente”.

Portanto Deus deu a todos os homens a salvação gratuita através do sacrifício vicário de Cristo, esta salvação esta disponível primeiramente a todos os que se achegaram a cristo, que tiveram os seus pecados cravado na cruz de Cristo e os seus atos de maldade anulados conforme escreveu Paulo aos colossenses “e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz”, mas Deus deixou claro que esta salvação somente estará disponível para todos aqueles que conseguir permanecer em Cristo e com ele vencer o poder do pecado “Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”. E ainda Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo”.

Para ser salvo teremos que vencer, enquanto tivermos vencendo estamos em condição salvífica e quando se afastamos de Cristo estamos em condição condenatória. Deus somente nos deu duas possibilidades de escolha Cristo ou o pecado, não podemos fazer o que quisermos por estarmos limitados as opções que Deus nos designou.

É claro que Deus sabe quem irá se salvar e quem não conseguira, sua presciência garante isso, mas o mais fantástico disto tudo é que ele deseja e torce, e muito, para que todos se salvem até mesmo aqueles que ele já sabe que não conseguira.

Deus é soberano e nos deu a possibilidade de escolha em amá-lo ou não.

 

Soli Deu Gloria.

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Fernando Pessoa.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…